Os zulus
Os zulus são
um povo do sul da África, vivendo em territórios atualmente correspondentes à
África do Sul, Lesoto, Suazilândia, Zimbábue e Moçambique. Embora hoje tenham
expansão e poder político restritos, os zulus foram, no passado, uma nação
guerreira que resistiu à invasão imperialista britânica e bôere no século XIX.
História Os zulus eram
originalmente um grande clã onde hoje é o norte do kwaZulu-Natal. Foi fundada
por Zulu kaNtombhela. Em 1816, os zulus formaram um poderoso estado sob
liderança de Shaka.
Tchaka, fundador do
reino Zulu Foi em 1740 que Dingiswayo tomou conta do poder da tribo Mthethwa.
Iniciou uma política de expansão, começando a submeter várias tribos vizinhas à
sua autoridade. Foi então que começou a organizar o exército sob o regime de
grupos por idades. A medida que ia submetendo as tribos vizinhas permitia que
os chefes dessas tribos continuassem no seu posto, sendo apenas obrigados a
pagar-lhe um tributo em gado. Começou assim a criar as funções dum grande reino
Ngoni. Dingiswayo começou a expandir-se para o norte, o que obrigou Zwide, o
chefe dos Ndwandwe, a fugir para o norte. Ao atravessar o rio Pongola empurrou
os Ngwane que tiveram que ir para a região onde hoje é a Swazilândia. Ficaram
desta forma duas grandes tribos frente a frente, a dos Mthethwa e a dos
Ndwandwa.
Por volta de 1790 nasceu na tribo
Zulu um rapaz a quem deram o nome de Tchaka. A história do nome Tchaka está
relacionada com as circunstâncias do seu nascimento e por isso a vamos contar.
O pai de Tchaka era herdeiro do trono Zulu. Entre os Zulus era proibido aos
homens terem relações sexuais antes de terem sido circuncidados. O pai de
Tchaka, porém, engravidou Nandi, a mãe de Tchaka, antes de ter sido
circuncidado. Começou-se então a dizer-se que Nandi não estava grávida, que a
razão para o crescimento da barriga era devida a uma doença dos intestinos a
que chamavam «i-tshaka».
Quando o rapaz nasceu passaram a
chamar-lhe Tchaka. Mais tarde o pai reconheceu o filho como sendo seu e tomou
Nandi como uma das suas mulheres. Tchaka cresceu no entanto afastado do seu
pai, vivendo muito ligado à sua mãe e mais tarde veremos as consequências que
isso lhe trouxe no futuro.
Durante a sua adolescência Tchaka foi
incorporado num dos grupos por idades do exército de Dingiswayo onde logo
demonstrou a sua grande bravura e a sua força atlética. Em breve se tornou um
herói favorito de Dingiswayo e passou a comandar um regimento do exército.
Em 1816 o pai de
Tchaka morreu e Tchaka decidiu tomar à força o trono Zulu. Embora a sua mãe
nunca tivesse sido considerada uma das grandes mulheres do pai de Tchaka, e
este não tivesse possibilidades de subir ao trono, a sua posição no exército de
Dingiswayo e a sua qualidade de favorito fizeram com que Dingiswayo ajudasse
Tchaka a tomar o trono pela força.
Em 1818 houve uma
grande batalha entre Dingiswayo e Zwide na qual o chefe Mthethwa foi morto.
Tchaka imediatamente tomou conta do poder e iniciou uma série de reformas
militares que o tornaram quase invencível. A organização do exército de
Tchaka Dingiswayo não tinha conseguido submeter as tribos
Ndwandwe à sua autoridade. Os Ndwandwe eram comandados por Zwide. Na luta pelo
espaço Tchaka precisava expandir para o norte. Para isso reformou todos os
métodos de táctica e organização do seu exército. Tchaka formou um estado
tribal militar.
Tchaka tinha verificado durante a sua
estadia no exército de Dingiswayo que as armas empregadas já não correspondiam
às novas tácticas de guerra. Dantes eram pequenos grupos que combatiam mas com
a formação do exército por idade novas armas eram necessárias. Quando eram
pequenos grupos de homens que lutavam usavam lanças que atiravam de longe. À
medida que mais homens entravam na luta, continuando a usar lanças, a maior
parte dos homens ficava desarmada. Assim, a primeira modificação que Tchaka
introduziu foi a de substituir a lança que se atirava por uma lança mais curta
de que o guerreiro se servia como uma espada e que nunca o abandonava. Era
punido de morte o guerreiro que perdesse a sua lança-espada. Ao mesmo tempo Tchaka
introduziu o uso do escudo que protegia o corpo inteiro.
Tchaka transformou a organização
tribal numa organização militar unida, fazendo participar todos os membros da
sociedade na guerra, dividindo com precisão as funções e introduzindo uma
disciplina severa e cruel. Todos os homens de 16 a 60 anos serviam no exército.
Era proibido aos jovens guerreiros casar-se e o casamento só era autorizado
como pagamento de serviços militares. Os guerreiros só comiam carne. As
mulheres e as crianças serviam também no exército, seguindo o exército com
gado, cozinhando e carregando comida. Os homens de outras tribos que eram
feitos prisioneiros tornavam-se escravos e se eram novos e fortes faziam parte
do exército. As mulheres, as crianças e o gado das tribos derrotadas eram
incorporadas na tribo. No período entre guerras toda a tribo vivia em grandes
conjuntos militares (ekanda).
O chefe supremo era o chefe militar. Era ditador e proprietário de todas
as terras da tribo e tinha o direito de vida e de morte sobre os membros da
tribo. Era também o juiz supremo em casos de assassínio e traição, crimes que
eram punidos com a pena da morte. Todavia, o poder ditador de Tchaka tinha os
seus limites. Era controlado por conselheiros (indunas) com os quais se devia
reunir para tomar decisões importantes.
Foi graças a esta
organização militar perfeita que os zulus conseguiram conquistar e derrotar
numerosas outras tribos. A batalha de Gokoli Tchaka
tornara-se senhor absoluto nas terras entre o rio Pongola e o rio Tugela.
Começou a desafiar o poder de Zwide, conseguindo fazer com que várias tribos
Ndwandwe começassem a prestar-lhe vassalagem. Zwide não podia ficar parado
perante um inimigo que se preparava para conquistar-lhe as suas terras e por
isso resolveu tomar a iniciativa de atacar Tchaka.
Os dois exércitos encontraram-se
perto da colina Gokoli. Nesta batalha os novos métodos de guerra instituidos
por Tchaka foram postos à prova pela primeira vez. Os Ndwandwe eram
numericamente superiores mas a disciplina do exército zulu conseguiu-lhe outra
superioridade. Os Ndwandwe não conseguiram penetrar nas linhas cerradas dos
zulus, apezar de terem atacado inúmeras vezes. Tiveram de recuar deixando no
campo de batalha cinco dos filhos de Zwide, entre os quais o herdeiro.
Zwide não desistiu de atacar. Sabia
que travava com Tchaka um combate decisivo. Ou ele vencia e podia continuar a
reinar ou era vencido por Tchaka e o seu povo ficaria sob o domínio zulu.
Assim em 1819 enviou contra Tchaka um
exército poderosíssimo. Face a um exército tão numeroso Tchaka teve que adaptar
novas tácticas.
Tchaka enviou o seu povo e o seu gado
para fechar a passagem ao inimigo ao mesmo tempo que ia atacando o exército
Ndwandwe com pequenos destacamentos de guerreiros, numa táctica de guerrilhas.
Uma noite uma grande quantidade de guerreiros zulus conseguiu penetrar no acampamento
dos Ndwandwe, enquanto estes dormiam, e mataram centenas de guerreiros. Antes
dos Ndwandwe poderem reagir os guerreiros zulus fugiram.
Ao mesmo tempo, Tchaka ia deixando o
exército inimigo penetrar no seu território quase até ao rio Tugela, continuando
a fazer pequenos ataques de guerrilhas, indo assim desmoralizando o exército
inimigo. A fome começou a lavrar no exército de Zwide e todos os homens estavam
muito cansados. Zwide então decidiu recuar e voltar para o seu país.
Quando iam atravessar o rio Mhlatuze
o exército de Tchaka caiu sobre eles. Foram completamente derrotados. Tchaka
enviou os seus exércitos que entraram no país Ndwandwe e massacraram a maior
parte da população civil. O que restou do exército de Zwide dividiu-se em três
grupos. Zwide conseguiu chegar com alguns dos seus até ao Alto Incomate onde se
instalou. Dois outros grupos dirigidos por Soshangane e Zwangedaba foram
instalar-se em Moçambique ao sul do Limpopo.
A batalha de Gokoli marca uma etapa
decisiva na carreira de Tchaka e foi o ponto de partida do que se chamou o
Mfecane, ou sejam as migrações para o norte de muitas tribos Ngoni.
Tchaka passou desta forma a dominar
em todo o território que ia desde a Delagoa Bay (Lourenço Marques) até ao rio
Tugela.
Depois da sua vitoriosa campanha contra
os seus vizinhos do norte, Tchaka resolveu atacar o sul. Várias expedições
foram enviadas para combater os Pondos. Conseguiu assim chegar até ao rio Fish.
Tendo conseguido formar um Império
tão vasto Tchaka começou a reforçar a sua organização de Estado. Era difícil
manter a lealdade sob um conjunto de povos diferentes. Assim, os chefes das
tribos conquistadas se se declarassem fiéis a Tchaka, continuavam nos seus
postos. Muitas vezes, porém, era-lhes tirado o poder e Tchaka nomeava para o
seu lugar pessoas da sua confiança. A base do poder residia no exército. Tchaka
criou uma série de guarnições militares à frente das quais se encontrava sempre
um induna. Essas guarnições estendiam-se por todo o território e dessa maneira
Tchaka estava pronto contra qualquer rebelião dos povos conquistados. Essas
guarnições eram verdadeiros quartéis onde se encontravam todos os militares que
viviam na sanzala e que passavam todo o tempo em exercícios militares.
Tchaka tornou-se um chefe cruel.
Muitos dos seus generais (indunas) não estavam satisfeitos com a disciplina de
ferro que Tchaka impunha no exército, sobretudo no que diz respeito ao
casamento.
Vários indunas se revoltaram contra
Tchaka. Um dos mais importantes foi Mzilikazi que com os homens que formavam a
sua sanzala desertou da organização do estado de Tchaka e foi instalar-se para
o noroeste onde é hoje a Rodésia, perto de Bulawayo. Tchaka continuou a fazer
campanhas militares sucessivas. Lembremo-nos de que Zwide tinha sido derrotado
em Gokoli e se refugiara no Alto Incomate. Os Ndwandwe tinham conseguido
reconstruir a sua tribo e esta começava a ser muito forte sob o comando de
Sikuniana, filho de Zwide. Em 1826 Zwide morreu e um outro seu filho Somapunga
disputa o trono a Sikuniana. Não o tendo conseguido vai ter com os zulus e
anuncia-lhes que Sikuniana faz planos de atacar Tchaka. Este imediatamente
manda um grande exército que apanha os Ndwandwe quase desprevenidos. Um grande
massacre tem lugar e cerca de 40.000 Ndwandwe são mortos. A tribo Ndwandwe
ficou quase totalmente dizimada e deixou de existir como tribo independente. Os
poucos que restaram foram acolher-se junto de Mzilikazi e Soshangane.
Tchaka continua a fazer ataques
sucessivos contra os povos vizinhos. Todos são obrigados a pagar-lhe anualmente
tributos sob a forma de cabeças de gado. As exigências de Tchaka são cada vez
maiores e muitas tribos não conseguem às vezes reunir o número de cabeças de
gado para satisfazer Tchaka.
As expedições
punitivas aumentam e todo o Império zulu vive mergulhado no terror. Várias
tentativas de assassinato são feitas contra Tchaka. A morte de Tchaka Em 1827 Tchaka decide ir atacar
Soshangane que nessa altura se encontrava perto de Delagoa Bay (Lourenço
Marques). Quando ia quase a chegar a Lourenço Marques chegou-lhe a notícia de
que sua mãe Nandi morrera.Tchaka imediatamente mandou parar a expedição e
voltou.
Tchaka sentiu muito profundamente a
morte de sua mãe, com quem vivera e a quem tinha uma afeição sem medida. Em
sinal de luto pela morte de Nandi Tchaka ordenou uma série de sacrifícios.
Durante um ano não se faria agricultura, não se beberia leite nem comeria carne
e todos se deviam abster de relações sexuais. Toda a mulher que engravidasse
nesse período era morta, juntamente com o marido.
Tchaka nunca casara, porque um
herdeiro fazia-lhe pensar na sua própria morte. Toda a mulher que se
engravidasse dele era morta.
O luto pela morte de Nandi provocou
um grande descontentamento em todo o povo. Toda a gente achava aqueles sacrifícios
arbitrários e desumanos.
Em 1828, aproveitando-se do
descontentamento geral em todo o Império, dois irmãos de Tchaka de nome Dingane
e Mhlangane ajudados por um induna Mbhope resolveram assassinar Tchaka. No
momento em que Tchaka tinha enviado uma parte dos seus exércitos para atacar os
Pondos numa expedição punitiva, Dingane e Mhlangane assassinaram Tchaka. Foi
Dingane quem sucedeu a Tchaka.
Guerra Anglo-Zulu A Guerra
Anglo-Zulu foi um conflito que aconteceu em 1879 entre o Reino Unido da
Grã-Bretanha e Irlanda e os Zulus. Em 11 de dezembro de 1878, os britânicos
entregaram um ultimato aos onze chefes representados por Setshwayo. Os termos
incluíam a rendição de seu exército e aceitar a autoridade britânica. Cetshwayo
recusou e a guerra começou em 1879. Os zulus ganharam em 22 de janeiro a
batalha de Isandlwana. A virada dos britânicos veio com a batalha em Rorke’s
Drift e sua vitória veio com a batalha de Ulundy em 4 de Julho. Os britânicos
venceram a guerra e conquistaram o Império Zulu. População população de zulus na África do Sul foi
estimada em 8.778.000 1995, correspondendo a 22.4% da população total do país
(“The Economist”). Nos restantes países, o número de zulus é estimado em cerca
de 400 mil. A província sul-africana do KwaZulu-Natal é considerada a sua
pátria original. A língua dos zulus é denominada isiZulu.
FONTE DE PESQUISA http://www.revistaxire.com.br/