Os Fons
População do sul do Benin e sul do
Togo, cuja origem mítica está entre os adjá.
Os Fon possuem como características o
uso da língua fon, e sua maior expressão histórica, política e social do povo
se expressou no Benin através do Reino do Dahomey e na Diáspora africana
através do vodun. O complexo cultural expressado tanto pelo vodun como pelo
Reino do Dahomey possui uma origem mítica na cidade-reino adjá de Tadô ou Sadô,
onde uma filha solteira do rei, ao dirigir-se à floresta sozinha para realizar
uma tarefa encontrou-se com um leopardo encantado. Ao retornar à cidade,
descobriu-se grávida e a paternidade da criança foi atribuída ao leopardo. Como
entre os adjá o sangue da mãe também enobrece esse filho do leopardo, kpòvi e
seus descendentes constituíram-se em uma nova linhagem real. Entretanto, o
filho do leopardo ficou sendo conhecido na posteridade pelo cognome de Agassu,
o bastardo, e seus descendentes por isso sempre eram preteridos no sistema
sucessório de Adjá-Tadô, ainda que herdassem a bravura e ousadia de seu
ancestral animal.
Um dia, porém, os kpòvi, mais uma vez excluídos, se revoltaram contra a
escolha do sucessor no trono de Adjá–Tadô. Eles e seus partidários se armaram
e, após uma violenta refrega, muitos morreram de ambos os lados, inclusive o do
rei escolhido. O chefe dos kpòvi, Kokpon por esta razão, ficou sendo conhecido
como Adjá-hutó, o matador de adjás, e ele junto com seus partidários tiveram
que partir para o exílio, uma vez que perpetrou o delito de maior
lesa-majestade que é o de amaldiçoar a terra com o derramamento do precioso
sangue real.
O êxodo dos kpòvi e seus seguidores, após várias peripécias, deteve-se
em Aladá, onde Adjá-hutó Kokpon fundou uma nova dinastia de governantes até que
o falecimento um rei também chamado Kokpon dá lugar a uma guerra de sucessão
entre seus três herdeiros: Medji, Té-Agbanlin e Ahô-Dakodonu. Medji permanece
em Aladá e dá continuidade à dinastia local reinante; Té-Agbanlin dirige-se
para o leste, onde funda uma nova dinastia em Adjaxé (Porto Novo) enquanto que
Dakodonu segue para o norte com seu irmão Ganiehessu e, após algumas
peripécias, busca alojar-se com seus ferozes seguidores entre a população de
língua yorubá dos iguedê (guedevi) e mata seu rei Agli, dizimando seu povo,
escravizando mulheres e crianças, os quais mais tarde são vendidos aos
portugueses. Funda ali uma nova dinastia.
Dakodonu tenta estabelecer-se em Kana e vai solicitando consecutivamente
ao rei de Kana, cujo nome era Dan, locais para alojamento. Um dia Dan,
aborrecido com mais uma solicitação dos adjá-tadonus, declara mordazmente:
“Depois de alojar-se em tantos lugares do meu reino, só falta agora a minha
barriga para esta gente ficar”. Os adjá-tadonus compreenderam essa declaração
como um chamado para a luta e, desta forma, Dakodonu matou e estripou
pessoalmente Dan, e disse que cumpriria sua palavra e construiria seu reino
sobre a barriga deste, daí a expressão Dan-ho-mé, que era o reino edificado “no
ventre de Dan”.
O Reino do Dahomey superou as duas outras dinastias adjá-tadonus
reinantes em Porto-Novo e Allada, governando um poderoso Estado da capital
Abomey, fundada por Agassuvi Aho, sobrinho e sucessor de Dakodonu, também
chamado de Hwegbadjá, em circunstâncias muito parecidas com a fundação do
próprio reino. Outra versão da história conta que Abomei teria sido fundada por
Hwessu, filho de Hwegbadjá. Os dois outros reinos, apesar do crescimento do
Daomé, continuaram a ser considerados Estados-irmãos e, tanto os reis de Porto
Novo como os de Abomey, dirigiam-se à Allada, cidade onde as suas dinastias
teriam começado a reinar, como parte do ritual da cerimônia de entronização.
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